{"id":719,"date":"2025-10-14T11:33:08","date_gmt":"2025-10-14T11:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/?page_id=719"},"modified":"2025-10-14T12:35:31","modified_gmt":"2025-10-14T12:35:31","slug":"saberes-de-cura-afro-brasileiros","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/saberes-de-cura-afro-brasileiros\/","title":{"rendered":"Saberes de Cura Afro-Brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p>Os saberes e pr\u00e1ticas de cura de matriz africana constituem um dos pilares mais duradouros e resilientes da cultura brasileira. Desde o per\u00edodo colonial, quando povos africanos escravizados trouxeram consigo complexos sistemas de cuidado espiritual e corporal, essas pr\u00e1ticas se articularam com os saberes ind\u00edgenas e populares, conformando um vasto campo de terapias tradicionais que ainda hoje orientam o itiner\u00e1rio terap\u00eautico de milh\u00f5es de brasileiros. Tais saberes \u2014 expressos nos terreiros de candombl\u00e9 e umbanda, nas comunidades quilombolas e nas rezadeiras, raizeiras e parteiras \u2014 desafiam a hegemonia biom\u00e9dica ao proporem uma vis\u00e3o ampliada de sa\u00fade, que abarca corpo, mente, territ\u00f3rio e espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que simples alternativas terap\u00eauticas, as pr\u00e1ticas de origem africana representam modos pr\u00f3prios de compreender o adoecimento e a cura, nos quais o ser humano \u00e9 visto em sua totalidade. Elas revelam uma concep\u00e7\u00e3o de sa\u00fade que se ancora na harmonia entre o indiv\u00edduo e as for\u00e7as da natureza, reconhecendo o papel do sagrado, da ancestralidade e da comunidade na restaura\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio vital. Essa vis\u00e3o contrasta fortemente com o modelo biom\u00e9dico, centrado no corpo f\u00edsico e na patologia, oferecendo ao mesmo tempo uma cr\u00edtica e uma complementaridade \u00e0 racionalidade ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil contempor\u00e2neo, esses saberes tamb\u00e9m assumem papel pol\u00edtico: resgatam identidades silenciadas, reafirmam o direito \u00e0 diferen\u00e7a e denunciam as desigualdades raciais e territoriais que ainda atravessam o acesso \u00e0 sa\u00fade. Ao ocupar espa\u00e7os acad\u00eamicos e dialogar com pol\u00edticas p\u00fablicas \u2014 a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (PNSIPN), Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Popular em Sa\u00fade (PNEPS-SUS), Pol\u00edtica Nacional de Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) e a Pol\u00edtica Nacional Pol\u00edtica Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter\u00e1picos (PNPMF) \u2014 os sistemas de cura afrodescendentes n\u00e3o apenas reivindicam reconhecimento, mas prop\u00f5em um novo paradigma de cuidado, plural e intercultural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saberes de terreiro e espiritualidade como terap\u00eautica<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As religi\u00f5es afro-brasileiras, como o candombl\u00e9 e a umbanda, constituem sistemas complexos de cuidado, em que as dimens\u00f5es espirituais e materiais s\u00e3o indissoci\u00e1veis. O artigo <em>\u201cO cuidado em sa\u00fade promovido pelas religi\u00f5es afro-brasileiras\u201d<\/em> destaca que os rituais, oferendas, banhos, rezas e a incorpora\u00e7\u00e3o dos orix\u00e1s funcionam como verdadeiras pr\u00e1ticas terap\u00eauticas, destinadas a restaurar o ax\u00e9 \u2014 a for\u00e7a vital que sustenta a exist\u00eancia. Nesse contexto, o corpo \u00e9 visto como canal de energia, e o adoecimento \u00e9 compreendido como um desequil\u00edbrio de for\u00e7as espirituais e comunit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>No estudo <em>\u201cAs pr\u00e1ticas de sa\u00fade no candombl\u00e9\u201d<\/em>, observa-se que sacerdotes e sacerdotisas exercem papel central no cuidado, combinando o uso de ervas medicinais com prescri\u00e7\u00f5es rituais. A defuma\u00e7\u00e3o, os banhos de folhas e as oferendas s\u00e3o pr\u00e1ticas que visam purificar, equilibrar e fortalecer o corpo e o esp\u00edrito. Os autores enfatizam que tais pr\u00e1ticas expressam um conceito de sa\u00fade hol\u00edstico e relacional, em que o cuidado ultrapassa a dimens\u00e3o individual e se insere em redes de solidariedade e pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pr\u00e1ticas s\u00e3o tamb\u00e9m espa\u00e7os de acolhimento afetivo e espiritual. No terreiro, a escuta, o toque, a palavra e o canto produzem sentidos de cura que envolvem n\u00e3o apenas a resolu\u00e7\u00e3o de sintomas, mas o restabelecimento da autoestima e do sentido de vida. O estudo de <em>Marques et al.<\/em> (2020) ressalta que, para muitas pessoas negras, os terreiros representam o \u00fanico espa\u00e7o em que sua dor \u00e9 legitimada sem preconceito, e onde o sofrimento n\u00e3o \u00e9 medicalizado, mas simbolizado e transformado. Assim, a pr\u00e1tica de cura se torna tamb\u00e9m uma forma de repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, resgatando a humanidade de corpos historicamente estigmatizados.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa <em>\u201cSa\u00fade dos povos de terreiro, pr\u00e1ticas de cuidado e terapia ocupacional\u201d<\/em> mostra ainda que esses espa\u00e7os desenvolvem uma pedagogia pr\u00f3pria do cuidado, em que o aprendizado se d\u00e1 pela conviv\u00eancia e pela experi\u00eancia ritual. O terreiro \u00e9, portanto, uma escola de autocuidado e coletividade. Ao mesmo tempo, o artigo evidencia os desafios de di\u00e1logo com o SUS: o preconceito religioso, a aus\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o intercultural e o racismo institucional dificultam o reconhecimento desses saberes. Apesar disso, os autores apontam que experi\u00eancias locais de integra\u00e7\u00e3o \u2014 como consultas mediadas por l\u00edderes religiosos, fitoterapia comunit\u00e1ria e acolhimentos espirituais \u2014 t\u00eam mostrado resultados positivos na ades\u00e3o e na resolutividade do cuidado.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-721\" srcset=\"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-300x200.jpeg 300w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-768x511.jpeg 768w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-1536x1022.jpeg 1536w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto: Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Saberes quilombolas e a ancestralidade como cuidado<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nas comunidades quilombolas, o cuidado em sa\u00fade est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 ancestralidade, ao territ\u00f3rio e \u00e0 natureza. A pesquisa <em>\u201cSaberes de quilombos nas pr\u00e1ticas de sa\u00fade\u201d<\/em> evidencia que os quilombolas mant\u00eam uma medicina pr\u00f3pria, baseada no uso de plantas medicinais, benzimentos e pr\u00e1ticas espirituais transmitidas oralmente entre gera\u00e7\u00f5es. O estudo demonstra, por\u00e9m, que tais saberes s\u00e3o frequentemente invisibilizados pelas pol\u00edticas p\u00fablicas, o que limita a integra\u00e7\u00e3o entre os sistemas tradicionais e a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo <em>\u201cItiner\u00e1rios terap\u00eauticos de mulheres quilombolas do norte de Minas\u201d<\/em> revela que as mulheres quilombolas transitam entre diferentes sistemas de cuidado: recorrem aos saberes populares em situa\u00e7\u00f5es do cotidiano e \u00e0 biomedicina em casos de maior gravidade. Esse tr\u00e2nsito demonstra que o itiner\u00e1rio terap\u00eautico quilombola \u00e9 plural e estrat\u00e9gico, baseado em confian\u00e7a, acessibilidade e experi\u00eancia pr\u00e9via. A autora argumenta que reconhecer essa pluralidade \u00e9 essencial para construir pol\u00edticas p\u00fablicas culturalmente sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras pesquisas, como <em>\u201cSaberes e pr\u00e1ticas populares em sa\u00fade na comunidade quilombola de Acau\u00e3 (RN)\u201d<\/em>, apontam que a transmiss\u00e3o dos saberes tradicionais \u00e9 tamb\u00e9m um ato pol\u00edtico e pedag\u00f3gico. Ao ensinar jovens a identificar plantas, preparar ch\u00e1s e realizar rituais de prote\u00e7\u00e3o, as anci\u00e3s reafirmam o pertencimento comunit\u00e1rio e a continuidade da cultura. Essa transmiss\u00e3o gera autoestima e sentido de identidade, fortalecendo o tecido social. Ao mesmo tempo, \u00e9 uma forma de resist\u00eancia frente \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e ao esquecimento imposto pela modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No artigo <em>\u201cPr\u00e1ticas de cuidado em sa\u00fade numa comunidade quilombola do Agreste Alagoano\u201d<\/em>, os autores observam que o cuidado tradicional n\u00e3o exclui o saber t\u00e9cnico, mas o ressignifica. Agentes comunit\u00e1rios e profissionais de sa\u00fade que convivem com os saberes locais relatam maior aceita\u00e7\u00e3o e v\u00ednculo quando respeitam as pr\u00e1ticas ancestrais. As reuni\u00f5es de grupo, as oficinas de plantas medicinais e as feiras de saberes populares tornam-se espa\u00e7os de di\u00e1logo entre a medicina da terra e a medicina institucional. Essa conviv\u00eancia, ainda incipiente, aponta caminhos para a integralidade do cuidado no SUS, mostrando que o encontro entre diferentes racionalidades \u00e9 poss\u00edvel quando h\u00e1 escuta e reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-cover\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"770\" height=\"513\" class=\"wp-block-cover__image-background wp-image-720\" alt=\"\" src=\"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-3.png\" data-object-fit=\"cover\" srcset=\"https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-3.png 770w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-3-300x200.png 300w, https:\/\/wp.staging.tmgl.org\/americas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2025\/10\/image-3-768x512.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 770px) 100vw, 770px\" \/><span aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-cover__background has-background-dim\"><\/span><div class=\"wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow\">\n<p class=\"has-text-align-center has-large-font-size\"><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Intersec\u00e7\u00f5es com o SUS e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os saberes afro-brasileiros de cuidado t\u00eam conquistado crescente reconhecimento no campo da sa\u00fade coletiva, especialmente ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (PNSIPN), da Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Popular em Sa\u00fade (PNEPS-SUS), da Pol\u00edtica Nacional de Pr\u00e1ticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC) e a Pol\u00edtica Nacional Pol\u00edtica Nacional de Plantas Medicinais e Fitoter\u00e1picos (PNPMF). Pol\u00edticas que abrem espa\u00e7o para o di\u00e1logo e a valoriza\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas tradicionais. Contudo, a dist\u00e2ncia entre a formula\u00e7\u00e3o dessas diretrizes e a pr\u00e1tica cotidiana ainda \u00e9 significativa, sobretudo em territ\u00f3rios onde o racismo institucional e a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho em sa\u00fade limitam o alcance dessas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os artigos analisados revelam que o di\u00e1logo entre as pr\u00e1ticas de terreiro e o SUS ainda \u00e9 fr\u00e1gil e pontual. Muitos profissionais de sa\u00fade carecem de forma\u00e7\u00e3o intercultural e desconhecem o papel terap\u00eautico das religi\u00f5es afro-brasileiras. Assim, persistem barreiras simb\u00f3licas e institucionais que refor\u00e7am a hierarquia entre saberes \u2014 onde a biomedicina ocupa o centro e as pr\u00e1ticas afrodescendentes s\u00e3o tratadas com preconceito. Apesar disso, h\u00e1 experi\u00eancias exitosas em munic\u00edpios que incorporaram os saberes populares e as PICS em parceria com terreiros e comunidades quilombolas, promovendo grupos de autocuidado, mutir\u00f5es de sa\u00fade e mapeamento de plantas medicinais.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo <em>\u201cDireito \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o quilombola: entre vulnerabilidade e resist\u00eancia\u201d<\/em> ressalta que o racismo estrutural atravessa as rela\u00e7\u00f5es de cuidado, produzindo desconfian\u00e7a e exclus\u00e3o. Entretanto, tamb\u00e9m identifica um movimento de resist\u00eancia nos pr\u00f3prios territ\u00f3rios, onde as pr\u00e1ticas de cura funcionam como atos pol\u00edticos de reexist\u00eancia \u2014 formas de afirmar a vida e o direito \u00e0 diferen\u00e7a. Ao articular cuidado, espiritualidade e territ\u00f3rio, essas pr\u00e1ticas constroem um modelo de aten\u00e7\u00e3o que ultrapassa a dimens\u00e3o cl\u00ednica e alcan\u00e7a o campo da justi\u00e7a social.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, h\u00e1 uma dimens\u00e3o \u00e9tica e epistemol\u00f3gica que se imp\u00f5e: reconhecer os saberes de origem africana \u00e9 ampliar o conceito de ci\u00eancia. Eles desafiam a l\u00f3gica hier\u00e1rquica do conhecimento e afirmam que a sabedoria do corpo, da erva e da palavra tamb\u00e9m s\u00e3o formas leg\u00edtimas de produzir sa\u00fade. Ao integrar esses saberes \u00e0 rede de aten\u00e7\u00e3o, o SUS pode se tornar um espa\u00e7o verdadeiramente plural \u2014 onde o encontro entre a racionalidade biom\u00e9dica e as racionalidades tradicionais produz n\u00e3o apenas cura, mas reconcilia\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Os saberes de cura de origem africana configuram um patrim\u00f4nio imaterial e epistemol\u00f3gico de enorme relev\u00e2ncia para a sa\u00fade coletiva brasileira. Mais do que tradi\u00e7\u00f5es religiosas ou terapias, eles representam modos de viver, compreender e transformar o sofrimento humano em di\u00e1logo com o sagrado, a natureza e a comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura dos artigos evidencia que essas pr\u00e1ticas \u2014 sejam as rezas nos quilombos, os banhos de folhas nos terreiros ou o uso de plantas medicinais \u2014 constituem sistemas terap\u00eauticos completos, sustentados por cosmologias pr\u00f3prias e por uma \u00e9tica do cuidado coletivo. Nos itiner\u00e1rios terap\u00eauticos da popula\u00e7\u00e3o negra e perif\u00e9rica, esses saberes ocupam papel central, n\u00e3o apenas como recurso de cura, mas como express\u00e3o de resist\u00eancia cultural e de constru\u00e7\u00e3o de sa\u00fade em sentido ampliado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Reconhecer e integrar esses saberes ao sistema p\u00fablico de sa\u00fade n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de inclus\u00e3o simb\u00f3lica, mas de repara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Trata-se de legitimar a voz dos povos que fundaram o Brasil e de reconhecer que o futuro da sa\u00fade depende tamb\u00e9m da escuta do passado. Trazer o di\u00e1logo com as pr\u00e1ticas de matriz africana com SUS \u00e9 construir um modelo de cuidado que celebra a diversidade e restabelece o equil\u00edbrio entre o humano, o social e o sagrado \u2014 uma verdadeira medicina da ancestralidade e da vida.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os saberes e pr\u00e1ticas de cura de matriz africana constituem um dos pilares mais duradouros e resilientes da cultura brasileira. 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